Produtividade no trabalho no Brasil sempre foi um tema que despertou grande curiosidade em mim. Não é raro ouvir falar que trabalhamos muito, mas produzimos pouco. Será que é verdade? Por que isso acontece? E, principalmente, como podemos medir e melhorar esta situação? Resolvi juntar o que aprendi em anos de leitura e debates para apresentar um panorama claro sobre o assunto, trazendo dados, exemplos do dia a dia e as discussões mais recentes, como o debate sobre a escala 6x1 e a redução da jornada semanal.
O que é produtividade no trabalho? Exemplos simples e medição
A palavra "produtividade" parece distante, mas está presente em atividades cotidianas. Quando vejo um atendente de café servir 20 clientes em uma hora, enquanto outro serve 30 no mesmo tempo, algo ali me chama atenção. O operário de fábrica que monta 100 peças por dia, enquanto outro monta 120, também traz essa comparação.
Produtividade nada mais é do que a relação entre o que se produz e o tempo ou esforço investido para isso.
Na prática, cada empresa ou setor deveria medir o resultado do seu próprio trabalho, considerando suas características. No entanto, em pesquisas internacionais, o mais comum é usar uma régua padronizada: o Produto Interno Bruto (PIB) de cada país dividido pelo número de trabalhadores ou horas trabalhadas. A Organização Internacional do Trabalho (OIT) e outros órgãos usam esse método para comparar países.
A produtividade mede quanto cada trabalhador gera de riqueza para o país em determinado período.
A posição do Brasil no ranking de produtividade mundial
Olhar para onde o Brasil está nesse ranking mundial nunca é confortável. Segundo dados recentes, ocupamos a 86ª posição entre 175 países em produtividade por hora de trabalho. Estamos atrás dos Estados Unidos, Alemanha, Reino Unido – o que não surpreende. Mas também estamos atrás de nações vizinhas, como Chile, Argentina, México e Cuba. Nossa vantagem é estar um pouco à frente da China, que apesar do tamanho, ainda tem muitos setores com baixa produtividade.
O que afeta a produtividade no Brasil?
Em minhas análises e leituras, identifiquei vários fatores que explicam nosso desempenho modesto. Destaco:
- Baixa qualificação dos trabalhadores
- Infraestrutura deficiente (rodovias, portos, internet lenta)
- Ambiente de negócios burocrático e instável
- Tributação confusa e pesada
- Incentivos econômicos mal desenhados
- Acesso desigual ao crédito, especialmente para pequenos negócios
- Pouco investimento em inovação e tecnologia
- Juros elevados e dificuldade de poupar
A baixa produtividade brasileira não significa que o trabalhador "faz corpo mole" ou que trabalha menos do que outros.
O brasileiro trabalha pouco? O que dizem os dados
Muitos acreditam que o problema está nas horas trabalhadas. Mas os números desmentem esse mito. Segundo pesquisas globais, a média semanal de trabalho no Brasil é de 38,9 horas, colocando o país na 93ª posição entre 167 analisados. Isso é mais do que França, Alemanha, Estados Unidos, Uruguai ou Argentina, todos com horários médios menores.
Daniel Duque, pesquisador que costumo acompanhar, comparou nosso perfil demográfico e nível de desenvolvimento com médias globais. O resultado foi curioso: considerando tudo, o brasileiro trabalha apenas 1,2 hora a menos por semana do que se esperaria para nossa renda e população.
Como a pauta da produtividade virou centro do debate sobre jornada e escala 6x1
Nas últimas discussões sobre a redução da jornada semanal e o fim da escala 6x1, percebo a produtividade como argumento central. A proposta em tramitação no Congresso prevê reduzir a jornada de 44 para 40 ou até 36 horas semanais.
Estudos de Fernando de Holanda, da FGV, estimam que, caso a carga máxima seja de 36 horas, teremos uma queda de 6,2% nas horas trabalhadas totais. Isso pode reduzir o PIB na mesma proporção, se nada mudar na forma de produzir.
Essas projeções são estáticas, não antecipam mudanças de estratégia ou investimento que possam compensar a redução.
Crédito, crescimento e Agnus Promotora de Crédito
Esse cenário mostra por que acesso ao crédito é fundamental para impulsionar trabalhadores e pequenas empresas. Muitas das soluções para os desafios do trabalho passam pela capacidade de inovar, qualificar e crescer – o que nem sempre é fácil para quem não encontra crédito justo.
É aí que vejo o papel da Agnus Promotora de Crédito. Atendendo trabalhadores em todo o Brasil de forma digital, humana e ágil, ajudamos a transformar a relação com o capital, permitindo que mais pessoas tenham tempo e oportunidades para investir em conhecimento, negócios ou até encontrar formas mais produtivas de trabalhar.
Conclusão
Minha conclusão é simples: aumentar o resultado por trabalhador é positivo, pois gera mais riqueza e reduz desigualdades. Porém, fiquei convencido de que a discussão sobre escalas e jornadas precisa olhar além de cálculos frios. Mudanças de jornada podem trazer benefícios e desafios, e o seu impacto no todo tende a ser pequeno, segundo vários estudos.
Nem sempre menos horas no trabalho significam produzir menos. O contexto faz toda diferença.